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Página 2 de 7 APRESENTAÇÃO DO EDITOR Esta é uma história ainda não contada.
É já vasta a literatura sobre o fenómeno da globalização, boa parte dela referida na lista de Contactos e Recursos inserida no final deste livro. Em português existem já algumas obras teóricas importantes, parte traduzidas, outras de autoria de estudiosos portugueses e brasileiros, como a notável série A Sociedade Portuguesa perante os Desafios da Globalização (dirigida por Boaventura Sousa Santos, Edições Afrontamento, Porto 2001-2003).
Mas esta é uma obra de tipo diferente.
Se a análise científica e teórica tem um papel insubstituível, também a história ao vivo de pessoas vivas ocupa um lugar nem sempre reconhecido no combate contra as injustiças mundiais. É esse o mérito deste Construir a Esperança.
Sem deixar de incluir algumas breves análises de carácter económico, social, ideológico e político, John Feffer e os seus colaboradores dão sobretudo voz à gente comum, numa extraordinária afirmação dos direitos da vida perante o ídolo sacrificador da globalização. Com a sua inspiração espiritualista e mesmo religiosa, este livro vai mais longe na audácia que algumas subtis análises académicas. Perpassam por estas páginas pequenos camponeses das Honduras, trabalhadores migrantes dos Andes, pobres e idosos das cidades da Bósnia, madeireiros do Camboja, trabalhadores mexicanos do vestuário, activistas comunitários da Coreia, estudantes sensibilizados do Japão, e tantos outros.
São modestas as tentativas que aqui vemos de criar alternativas, por parte daqueles que a globalização marginaliza. Apesar disso, cada uma destas histórias dá um contributo para os contornos de um caminho diferente a construir, o caminho da esperança: responder às necessidades básicas dessas pessoas, melhorar as suas vidas de forma sustentável, e fazê-lo de modo culturalmente apropriado com base na participação activa, na solidariedade e na aprendizagem recíproca.
Na sua introdução a esta colecção notável, John Feffer explica resumidamente em que consiste a economia globalizada e os novos desafios que se levantam para dar resposta à concentração sem precedentes de poder por parte de certos países e das empresas globalizadoras.
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