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SEMPREEMPE.PT 09 de Setembro de 2010
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Construir a Esperança | Imprimir |

APRESENTAÇÃO DA OBRA

Este livro é um pequeno e belíssimo mosaico de histórias bem sucedidas no contexto de um programa que o AFSC (Comité Americano Quaker - American Friends Service Committee) considera o seu trabalho principal na promoção da paz e da justiça. O programa intitula-se Assuntos Internacionais e é desenvolvido pelos representantes Quaker para os assuntos internacionais (Quaker International Affairs Representatives - QIAR) num certo número de regiões e países e também junto das Nações Unidas, com representações em Nova Iorque e Genebra.

Em muitas partes do mundo, o AFSC trabalha de maneira idêntica à de outras organizações internacionais para o desenvolvimento - construindo escolas, prestando assistência médica, distribuindo auxílio alimentar. Mas o trabalho da secção de Assuntos Internacionais do AFSC é diferente, pois privilegia não a construção de coisas mas sim a construção de relações.

O trabalho da secção de Assuntos Internacionais radica no testemunho Quaker pela paz.  Com base nesse profundo compromisso, o trabalho visa fazer progredir simultaneamente a paz e a justiça. Como tal, a acção dos Assuntos Internacionais procura promover a comunicação no interesse da paz e da justiça, especialmente entre partes em conflito. O trabalho dos representantes procura aproximar adversários para além das separações, ajudando-os a encontrar uma linguagem comum para prevenir a violência e construir a paz. A humildade é uma componente essencial do trabalho dos representantes do AFSC para os assuntos internacionais. Por natureza, é um trabalho discreto e cooperativo. Outro aspecto desse trabalho relaciona-se com a criação de laços entre pessoas e com a criação de redes a vários níveis, desde o nível de base, ao nível nacional, regional e internacional.

Esse trabalho é hoje moldado e desafiado por um processo ao mesmo tempo económico, social, político e cultural, hoje designado globalização, entendida esta como uma dominação transnacional que radica em:

* Tecnologias que contaminam e desbaratam os nossos recursos,
* Penetração do mercado na nossa política, cultura, direitos humanos e espírito,
* Uma pedagogia da opressão em matéria de sexo, raça, crenças e hierarquias,
* Redução da nossa condição humana à de meros consumidores.

Como argutamente observa John Feffer, «a globalização é a força que valoriza o crescimento material mais do que o espiritual, os laços de empresa mais do que os laços familiares, a concorrência mais do que a cooperação.»

Moldar assim o mundo deixou milhares de milhões de pessoas na pobreza; a incessante procura de mercados levou também a guerra  a milhões de indivíduos.

As histórias bem sucedidas contadas neste livro exemplificam o trabalho dos representantes internacionais e a feição que esse trabalho assume na região em que  se encontram, com o objectivo de abrir em conjunto novas possibilidades em matéria de relações económicas, de respeito pelos direitos humanos e de uma nova cultura em que as pessoas ocupam o centro.

Tudo isso representa sementes de novas possibilidades. Talvez pareçam frágeis em comparação com a cadeia de lojas Wal-Mart  ou com o Fundo Monetário Internacional, mas têm raízes profundas no empenhamento das pessoas em busca de uma nova ética e de novos valores e apoiam-se na  união dessas pessoas tendo em vista construírem juntas uma comunidade.

O AFSC divulga estas histórias bem sucedidas porque representam o futuro do mundo. Aquilo que hoje parece poderoso - o processo de globalização - é na realidade fraco, porque está a destruir cada vez mais vidas a cada ano que passa e não pode proporcionar a paz e a justiça à maioria dos povos do mundo.

A maioria dos representantes do AFSC e das pessoas com quem trabalham não são Quakers. Mas em diferentes regiões e em diferentes circunstâncias, todas trabalham juntas no espírito do testemunho Quaker pela paz, que considera cada indivíduo precioso e exige que as estruturas injustas sejam desafiadas.

Martin Garate
Secretário-Geral Associado/Programas Internacionais


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