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Página 2 de 4 A HISTÓRIA Como é que o Tio Tomás, que nasceu tão pobre, se tornou dono da valiosa Casa da Torre Verde e dos seus jardins? E como fez ele amizade com o Estácio, um rapazito que tinha apenas nove anos quando se conheceram? E porque tem ele medo que alguns dos seus parentes, afastados mas poderosos, venham a anular o seu testamento? É que, nesse testamento, Tomás decide o seu belo sonho: depois de morrer, a Torre Verde deverá transformar-se num parque para as crianças da cidade. E numa biblioteca. O LOCAL Todo este romance se passa numa ilha onde se fala grego. E numa grande cidade onde os prédios de cimento quase já não deixam qualquer espaço verde, tendo destruído grande parte do seu antigo encanto.
A Autora, Elli Paionídou, não nos diz como se chama a ilha. Mas podemos imaginar que ela se inspirou em acontecimentos ocorridos no seu próprio país, Chipre - que, talvez não por acaso, é uma ilha.
Coisas muito parecidas passam-se também em muitas cidades portuguesas. Se quisermos, podemos até imaginar que este romance se passa numa delas.
A ÉPOCA A edição original deste livro foi publicada pela primeira vez em 2001. A sua acção decorre na última década do século XX. Há não muito tempo, portanto. O Estácio e o Lákis, que na altura teriam a tua idade, onze ou doze anos ou um pouco mais, seriam hoje talvez da idade de um teu irmão mais velho, ou de um primo, ou daquele vizinho já crescido com quem às vezes jogas computador.
OS PERSONAGENS O Estácio, claro. Com os seus doze anos, foi alguns anos antes deste romance começar que fez amizade com o Tio Tomás. Passou então a fazer-lhe companhia e a ajudá-lo a regar o jardim, depois de regressar da escola e de fazer os trabalhos de casa.
A introdução com que começa o romance é o que Estácio escreveu no seu caderno azul, tradicionalmente usado nas escolas de Grécia e Chipre. Nessa introdução, é o Estácio o narrador. Mas o resto do livro já não é narrado por ele... O Lákis, o grande amigo do Estácio e seu colega de escola, dar-lhe-á sempre todo o seu apoio. Os dois conseguirão interessar mais gente, crianças e adultos, na defesa da Torre Verde. Todos juntos, acabarão por fazer cumprir a vontade do Tio Tomás.
O Áris, o cão do Tio Tomás, grande amigo do Estácio e do Lákis, que o hão-de salvar quando descobrem que foi raptado por malfeitores. Tem o nome do antigo deus grego da guerra, mas não passa de um cachorrito brincalhão e meigo que só ladra aos malvados.
A Mónica, uma jovem francesa de vinte e poucos anos, mas que parece ter dezasseis. Fala grego, embora com alguns pequenos erros. O Tio Tomás chama-lhe neta, mas ela não é neta dele embora o trate também por avô. Que mistério os une?
Acabará por ser ela quem virá a garantir as condições para que seja cumprido o sonho do «avô» e seja criado o parque e a biblioteca da Torre Verde para crianças e jovens.
E ainda: o André (que é quem conta a história do romance, quer dizer, é ele o narrador) e a Cristina, pais do Lákis, ela professora e ele jornalista, e o seu velho amigo Jorge, advogado, que ajudarão a solucionar o mistério da Torre Verde e a fazer justiça. E ainda outros personagens, que irás descobrir ao longo deste romance de aventuras.
OS NOMES Alguns nomes de personagens são muito parecidos com nomes portugueses equivalentes: Thomás é Tomás, Christina é Cristina, Andréas é André! Outros são um pouco mais arrevezados, como Lákis, ou raros em português, como Estácio, mas não é caso para sustos!
Os apelidos é que são um pouco mais complicados mas não mais que os nomes estrangeiros que vês ou ouves na televisão ou no teu computador! Num caso ou noutro foram ligeiramente simplificados ou encurtados para tornar a leitura mais fácil, sem te deixarem esquecer que a história se passa noutro país embora em algumas coisas muito parecido com o nosso (vê, adiante, a secção sobre Chipre). A LÍNGUA Não há em português muitos livros traduzidos do grego actual. Apenas dois países têm o grego como língua oficial: a Grécia e Chipre. Ambos fazem parte, tal como Portugal, da União Europeia.
A língua grega antiga é uma das línguas de maior prestígio na história da humanidade. Nela foram escritos alguns dos primeiros e mais importantes livros da literatura de todos os tempos: a Ilíada e a Odisseia, por exemplo. Nela escreveram grandes autores: Hesíodo, Platão, Aristóteles, Ésquilo, Sófocles, Eurípedes. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, o grego nunca foi uma língua «morta». Mas é verdade que o grego actual é bastante diferente do grego antigo nalguns aspectos o Estácio não entenderia bem o que Platão lhe dissesse se pudesse falar com ele! embora parecido noutros muitas das palavras de Platão, lidas devagar, iriam parecer-lhe iguais às que ele próprio usa, ou muito familiares.
CHIPRE Sabes já que a escritora Elli Paionidou, autora deste livro, é natural de Chipre, país que, tal como Portugal, é membro da União Europeia. Embora a autora não diga que O Mistério da Torre Verde se passa em Chipre, por várias vezes o livro refere acontecimentos da história desse país. O território da República de Chipre coincide com o da ilha do mesmo nome, situada no Mediterrâneo, muito próxima da parte sul da Turquia. A capital é a cidade de Nicósia (em grego, Lefkosía).
Neste livro, o jornalista André, o narrador, recorda que o pai e o tio combateram contra o domínio inglês, no movimento que conduziu à independência de Chipre (capítulo 8). Na antiguidade, a ilha tinha sido ocupada por egípcios, assírios e persas, e depois por gregos, tendo a partir de então permanecido ininterruptamente como uma área de cultura grega. Isso não impediu que em 1489 Chipre tivesse sido dominada pela República de Veneza. Mas, em 1570, passou a fazer parte, como a própria Grécia, do império dos turcos otomanos, que a conquistaram, e assim permaneceria até finais do século XIX. Derrotados os turcos pelas potências europeias, Chipre passou a ser administrado pelos ingleses a partir de 1878, por decisão do Congresso de Berlim. Em 1914, com o início da primeira guerra mundial, passou a ser oficialmente considerada uma colónia do império britânico. Entretanto, bem antes disso, em 182?, a Grécia, expulsando os turcos, tornara-se uma nação independente. Os povos de cultura grega que tinham ficado de fora da Grécia independente, como Creta e Chipre, nunca deixaram de se sentir gregos. A partir de 1930, iniciam-se em Chipre as revoltas contra os ingleses e a favor da união de Chipre com a Grécia, a «enosis», palavra grega que significa «união». Embora não tivessem conseguido a união com a Grécia, os cipriotas acbam por chegar à independência, no seguimento de um tratado entre Chipre, a Grécia e o Reino Unido assinado em 1960.
Como na ilha existia uma comunidade turca, foi atribuído aos turco-cipriotas a vice-presidência do novo país. No entanto, as relações entre cipriotas gregos e turcos eram difíceis, e assim se mantiveram. Os cipriotas gregos continuaram a desejar a união com a Grécia, o que era muito mal visto pelos turcos. Em 1974 agravou-se o conflito entre as duas comunidades da ilha, e a Turquia, pondo-se ao lado da comunidade cipriota turca, invadiu Chipre e ocupou militarmente a parte norte, proclamando a República Turca de Chipre do Norte. Porém, tal «república» nunca foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas nem pelos países europeus aliás, o único estado que a reconhece é a Turquia. Com essa invasão, muitos cipriotas gregos perderam casas e bens, o que que é evocado a propósito da família da professora Cristina (capítulo 4). Com a entrada da República de Chipre na União Europeia, em 2004, surgiu a esperança de uma reunificação da ilha, mas subsistem ainda graves problemas a resolver antes que tal se torne possível. Outro acontecimento de grande importância para as relações entre gregos e turcos foi a Catástrofe da Ásia Menor, em 192?. A tia Arguiró (capítulo 4), quando era ainda criança, teve que fugir de Esmirna, cidade da Turquia onde vivia e que era sobretudo habitada por gregos, e veio refugiar-se em Chipre. A guerra que nessa altura existiu entre gregos e turcos teve consequências tão graves para os gregos que ficou conhecida por Catástrofe. Outro aspecto saliente de Chipre na época moderna é a importância da emigração (aliás, tal como na Grécia... e em Portugal!). Neste livro fala-se por vezes de gente que emigrou para a América (as filhas da tia Arguiró, no capítulo 4; Regina, a filha do Tio Vagoris, no capítulo 6), ou que pensam em emigrar para a Austrália (o próprio Estácio, no capítulo 8), dois dos principais destinos dessa emigração. Hoje, Chipre, com seu clima mediterrânico e suas praias de água tépida, tem uma importante actividade turística. A sua economia conta ainda com outros serviços e indústrias e uma agricultura especializada na exportação de citrinos (a quinta do Nikos tem grandes laranjais capítulo 5). Tem ainda a quarta marinha mercante do mundo graças aos numerosos navios de outros países matriculados com bandeira cipriota, o que traz grandes proventos para o país.
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